A possível candidatura de Luís Marques Mendes à Presidência da República em 2026 promete agitar o cenário político português. Com um percurso sólido que passa pelo Parlamento, pelo governo e pelo comentário político televisivo, o antigo líder do PSD surge agora como um nome forte para a sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa.
Mas o que significa realmente esta candidatura? Que impacto pode ter na corrida presidencial? E que desafios enfrentará Marques Mendes nesta nova etapa?
De Comentador a Candidato: Uma Transição Estratégica
Marques Mendes não é um estreante na política. Foi deputado, secretário de Estado, ministro e, entre 2005 e 2007, líder do PSD. No entanto, nos últimos 12 anos, consolidou a sua influência fora dos cargos partidários, através do seu papel como comentador político na SIC. O seu espaço de análise tornou-se um dos mais respeitados do panorama mediático português, ajudando a antecipar decisões governamentais e a interpretar os bastidores da política.
Agora, prepara-se para regressar ao jogo político de forma direta. A sua saída da SIC, sincronizada com o anúncio da candidatura, mostra um planeamento cuidado, evitando qualquer polémica sobre o uso da plataforma mediática para alavancar a sua campanha. Diferente do percurso de Marcelo Rebelo de Sousa, que manteve os seus comentários na TVI até um período mais avançado, Marques Mendes aposta numa estratégia mais tradicional e formal.
Uma Candidatura Com Apoios?
Para qualquer candidato presidencial, reunir apoios políticos e sociais é essencial. No caso de Marques Mendes, há um fator determinante: o PSD. Embora a eleição presidencial seja suprapartidária, é inegável que os candidatos necessitam de apoios de figuras e máquinas políticas para garantir uma campanha estruturada e com alcance nacional.
O PSD apoiará Marques Mendes? O partido tem historicamente enfrentado dificuldades em encontrar um candidato consensual para as presidenciais, e as últimas eleições foram exemplo disso. Em 2021, Rui Rio hesitou até ao último momento antes de declarar apoio tardio a Marcelo Rebelo de Sousa, que já era praticamente imbatível. Com Mendes, o PSD pode encontrar um nome capaz de unir as várias fações internas e evitar a fragmentação de votos à direita.
Além disso, resta perceber como reagirão outras figuras políticas à sua candidatura. Nomes como Paulo Portas ou Durão Barroso são frequentemente mencionados como potenciais candidatos, e a entrada de Marques Mendes pode influenciar as suas decisões.
O Perfil do Eleitorado e os Desafios na Campanha
As eleições presidenciais portuguesas não funcionam como as legislativas. Os candidatos precisam de conquistar um eleitorado vasto, que não vota necessariamente em função dos partidos, mas sim das personalidades. Marcelo Rebelo de Sousa foi um caso paradigmático de um candidato que conseguiu captar apoios transversais, desde a direita tradicional até ao centro e mesmo setores da esquerda.
Será que Marques Mendes tem esse apelo popular?
Se, por um lado, a sua notoriedade mediática o ajudará, por outro, terá de demonstrar que não é apenas um “homem de bastidores” e que está pronto para assumir o mais alto cargo da nação. O desafio será construir uma imagem de estadista, capaz de dialogar com todos os setores da sociedade e não apenas com o eleitorado tradicional do PSD.
Outro fator importante será a sua capacidade de apresentar uma visão clara para o país. Nos últimos anos, a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa foi marcada por um estilo comunicacional forte e uma grande proximidade com os cidadãos. Qual será a abordagem de Marques Mendes? Manterá um perfil mais institucional ou tentará um estilo mais popular e interventivo?
O anúncio oficial da candidatura está previsto para fevereiro, e será um momento decisivo para percebermos o tom da sua campanha. A saída da SIC já está programada, o que indica um compromisso sério com a corrida presidencial.